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tDCS para Insónia: Como a Estimulação Cerebral Melhora o Sono

O tDCS para insónia funciona de forma diferente do protocolo para depressão: inibe a hiperexcitabilidade cortical noturna que impede o adormecimento e o sono profundo.

Catodal
Polaridade usada (inibe excitabilidade)
Protocolo clínico
Vertex
Localização principal dos elétrodos
Frase et al., 2019
G47.0
Código ICD-10 para insónia orgânica
ICD-10

tDCS para insónia: mecanismo diferente da depressão

Quando a maioria das pessoas ouve falar de tDCS, pensa no protocolo para depressão: estimulação anódica (excitatória) sobre o córtex pré-frontal dorsolateral esquerdo, que está subativo em doentes deprimidos. A insónia requer uma abordagem radicalmente diferente.

Na insónia crónica, o problema não é falta de ativação cerebral — é excessiva ativação. O cérebro insone está "demasiado ligado" à hora de dormir, com um nível de ativação cortical que deveria baixar para facilitar o adormecimento e o sono profundo, mas que permanece elevado. Para este problema, a solução é a estimulação catodal, que tem efeito inibitório sobre a excitabilidade cortical.

O elétrodo catodal é colocado sobre o vértex (Cz) ou áreas parietais (P3/P4), zonas associadas ao controlo da atividade cortical global e ao sono de ondas lentas. O objetivo é reduzir o arousal cortical excessivo, criando condições neurofisiológicas mais propícias ao adormecimento e ao sono restaurador.

O papel do arousal cortical na insónia

A teoria mais aceite sobre a fisiopatologia da insónia crónica é o modelo de hiperativação (hyperarousal model). Segundo este modelo, a insónia não é apenas um problema de "não conseguir dormir" — é uma perturbação sistémica de ativação excessiva que ocorre em três níveis:

  • Ativação cortical: o EEG de doentes com insónia mostra maior atividade de alta frequência (beta e gama) e menor atividade de baixa frequência (delta) durante o sono, em comparação com bons dormidores.
  • Ativação autonómica: frequência cardíaca e temperatura corporal mais elevadas à hora de dormir, menor variabilidade da frequência cardíaca — sinais de maior ativação do sistema nervoso simpático.
  • Ativação cognitiva: pensamentos ruminativos, preocupação com o sono, incapacidade de "desligar" a mente.

O tDCS catodal atua diretamente no primeiro nível — a hiperativação cortical. Ao reduzir a excitabilidade do córtex, cria as condições neurofisiológicas para que os outros níveis de ativação também diminuam de forma cascata.

O protocolo clínico para insónia

O protocolo para insónia difere do protocolo para depressão em vários aspetos importantes:

ParâmetroDepressãoInsónia
Polaridade ativaÂnodo (excitatório)Cátodo (inibitório)
LocalizaçãoDLPFC esquerdo (F3)Vértex (Cz) / Parietal
Intensidade1-2 mA1-2 mA
Duração da sessão20-30 min20-30 min
Timing idealManhãTarde/início da noite
ObjetivoAumentar excitabilidadeReduzir excitabilidade

O timing das sessões é particularmente importante na insónia. Enquanto o protocolo de depressão pode ser feito de manhã, as sessões para insónia têm maior eficácia quando realizadas ao fim da tarde ou início da noite, aproveitando a janela em que o arousal cortical naturalmente começa a diminuir e potenciando esse processo. Na prática, muitos doentes fazem a sessão no sofá ou na cama, 1-2 horas antes de dormir.

Evidência de eficácia

A investigação sobre tDCS e insónia ainda está em fase de consolidação, mas os estudos disponíveis fornecem base mecanicista e resultados clínicos preliminares encorajadores.

Frase et al., 2019
+SWS
Estimulação catodal no vértex melhorou objetivamente o sono de ondas lentas (slow-wave sleep) medido por polissonografia em doentes com insónia. Brain Stimulation.
Saebipour et al., 2015
PSQI ↓
Melhoria significativa no Pittsburgh Sleep Quality Index em doentes com insónia crónica submetidos a tDCS vs estimulação sham.
Mecanismo EEG
β↓ δ↑
Estudos de EEG documentam redução da atividade beta (alta frequência) e aumento da atividade delta (sono profundo) após estimulação catodal.
Insónia + Depressão
Duplo
Doentes com insónia comórbida com depressão tendem a mostrar benefício duplo — melhoria do sono e do humor — com protocolos de tDCS adaptados.

Evidência em consolidação: A Sereen trata o tDCS para insónia como uma abordagem de Grau C — promissora, com mecanismo bem suportado, mas ainda a necessitar de estudos maiores. Avaliamos cada caso individualmente para determinar se o tDCS é a opção mais adequada ao seu perfil.

Perguntas frequentes

Para depressão usa-se estimulação anódica (excitatória) sobre o córtex pré-frontal dorsolateral esquerdo, que está subativo. Para insónia usa-se estimulação catodal (inibitória) sobre o vértex ou áreas parietais, com o objetivo de reduzir o excesso de ativação cortical que impede o sono. São mecanismos opostos para condições distintas.

O arousal cortical refere-se ao nível de ativação do córtex cerebral. Na insónia crónica, o cérebro mantém um nível de ativação excessivamente elevado durante a noite — o chamado hyperarousal model da insónia. Estudos de EEG mostram que o cérebro insone tem mais atividade de alta frequência (beta) e menos atividade lenta (delta) durante o sono. O tDCS catodal reduz essa hiperativação.

No protocolo para insónia, o elétrodo catodal (negativo) é colocado sobre o vértex (Cz) ou áreas parietais (P3/P4 no sistema 10-20 de EEG). O elétrodo de referência é habitualmente colocado no ombro ou na região supraorbital. A localização exata depende do perfil do doente e é definida pelo clínico responsável.

Não necessariamente durante a sessão, mas alguns doentes reportam sensação de calma e sonolência no período imediatamente após, especialmente com sessões ao fim da tarde. Esta sonolência pós-sessão é considerada um efeito benéfico no contexto do tratamento da insónia e pode facilitar o adormecimento nessa noite.

O protocolo agudo típico envolve 5 sessões por semana nas primeiras 2 semanas, seguido de 3 sessões por semana durante 8 semanas adicionais, totalizando 10-12 semanas. Este protocolo pode variar conforme a resposta individual e o tipo de insónia.

Sim. O protocolo Sereen é concebido especificamente para uso domiciliário, com supervisão remota pelo clínico responsável. O dispositivo é entregue em casa, com instruções detalhadas e acompanhamento regular para garantir a correta aplicação do protocolo.

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