tDCS para insónia: mecanismo diferente da depressão
Quando a maioria das pessoas ouve falar de tDCS, pensa no protocolo para depressão: estimulação anódica (excitatória) sobre o córtex pré-frontal dorsolateral esquerdo, que está subativo em doentes deprimidos. A insónia requer uma abordagem radicalmente diferente.
Na insónia crónica, o problema não é falta de ativação cerebral — é excessiva ativação. O cérebro insone está "demasiado ligado" à hora de dormir, com um nível de ativação cortical que deveria baixar para facilitar o adormecimento e o sono profundo, mas que permanece elevado. Para este problema, a solução é a estimulação catodal, que tem efeito inibitório sobre a excitabilidade cortical.
O elétrodo catodal é colocado sobre o vértex (Cz) ou áreas parietais (P3/P4), zonas associadas ao controlo da atividade cortical global e ao sono de ondas lentas. O objetivo é reduzir o arousal cortical excessivo, criando condições neurofisiológicas mais propícias ao adormecimento e ao sono restaurador.
O papel do arousal cortical na insónia
A teoria mais aceite sobre a fisiopatologia da insónia crónica é o modelo de hiperativação (hyperarousal model). Segundo este modelo, a insónia não é apenas um problema de "não conseguir dormir" — é uma perturbação sistémica de ativação excessiva que ocorre em três níveis:
- Ativação cortical: o EEG de doentes com insónia mostra maior atividade de alta frequência (beta e gama) e menor atividade de baixa frequência (delta) durante o sono, em comparação com bons dormidores.
- Ativação autonómica: frequência cardíaca e temperatura corporal mais elevadas à hora de dormir, menor variabilidade da frequência cardíaca — sinais de maior ativação do sistema nervoso simpático.
- Ativação cognitiva: pensamentos ruminativos, preocupação com o sono, incapacidade de "desligar" a mente.
O tDCS catodal atua diretamente no primeiro nível — a hiperativação cortical. Ao reduzir a excitabilidade do córtex, cria as condições neurofisiológicas para que os outros níveis de ativação também diminuam de forma cascata.
O protocolo clínico para insónia
O protocolo para insónia difere do protocolo para depressão em vários aspetos importantes:
| Parâmetro | Depressão | Insónia |
|---|---|---|
| Polaridade ativa | Ânodo (excitatório) | Cátodo (inibitório) |
| Localização | DLPFC esquerdo (F3) | Vértex (Cz) / Parietal |
| Intensidade | 1-2 mA | 1-2 mA |
| Duração da sessão | 20-30 min | 20-30 min |
| Timing ideal | Manhã | Tarde/início da noite |
| Objetivo | Aumentar excitabilidade | Reduzir excitabilidade |
O timing das sessões é particularmente importante na insónia. Enquanto o protocolo de depressão pode ser feito de manhã, as sessões para insónia têm maior eficácia quando realizadas ao fim da tarde ou início da noite, aproveitando a janela em que o arousal cortical naturalmente começa a diminuir e potenciando esse processo. Na prática, muitos doentes fazem a sessão no sofá ou na cama, 1-2 horas antes de dormir.
Evidência de eficácia
A investigação sobre tDCS e insónia ainda está em fase de consolidação, mas os estudos disponíveis fornecem base mecanicista e resultados clínicos preliminares encorajadores.
Evidência em consolidação: A Sereen trata o tDCS para insónia como uma abordagem de Grau C — promissora, com mecanismo bem suportado, mas ainda a necessitar de estudos maiores. Avaliamos cada caso individualmente para determinar se o tDCS é a opção mais adequada ao seu perfil.
Perguntas frequentes
Para depressão usa-se estimulação anódica (excitatória) sobre o córtex pré-frontal dorsolateral esquerdo, que está subativo. Para insónia usa-se estimulação catodal (inibitória) sobre o vértex ou áreas parietais, com o objetivo de reduzir o excesso de ativação cortical que impede o sono. São mecanismos opostos para condições distintas.
O arousal cortical refere-se ao nível de ativação do córtex cerebral. Na insónia crónica, o cérebro mantém um nível de ativação excessivamente elevado durante a noite — o chamado hyperarousal model da insónia. Estudos de EEG mostram que o cérebro insone tem mais atividade de alta frequência (beta) e menos atividade lenta (delta) durante o sono. O tDCS catodal reduz essa hiperativação.
No protocolo para insónia, o elétrodo catodal (negativo) é colocado sobre o vértex (Cz) ou áreas parietais (P3/P4 no sistema 10-20 de EEG). O elétrodo de referência é habitualmente colocado no ombro ou na região supraorbital. A localização exata depende do perfil do doente e é definida pelo clínico responsável.
Não necessariamente durante a sessão, mas alguns doentes reportam sensação de calma e sonolência no período imediatamente após, especialmente com sessões ao fim da tarde. Esta sonolência pós-sessão é considerada um efeito benéfico no contexto do tratamento da insónia e pode facilitar o adormecimento nessa noite.
O protocolo agudo típico envolve 5 sessões por semana nas primeiras 2 semanas, seguido de 3 sessões por semana durante 8 semanas adicionais, totalizando 10-12 semanas. Este protocolo pode variar conforme a resposta individual e o tipo de insónia.
Sim. O protocolo Sereen é concebido especificamente para uso domiciliário, com supervisão remota pelo clínico responsável. O dispositivo é entregue em casa, com instruções detalhadas e acompanhamento regular para garantir a correta aplicação do protocolo.
Saiba se o tDCS é adequado para si
Avaliação clínica gratuita. Resposta em 24 horas.
Candidatura recebida!
A nossa equipa entra em contacto em 24 horas.