1. Início
  2. FAQ

Perguntas Frequentes sobre tDCS e Sereen

Respostas honestas e detalhadas sobre tDCS, o programa Sereen, segurança e resultados. Se a sua pergunta não estiver aqui, contacte-nos em geral@sereen.pt

30+
Perguntas respondidas
Atualizado julho 2026
10.000+
Estudos publicados sobre tDCS
PubMed 2026
1998
Primeiro estudo clínico de tDCS
Priori et al.

Reunimos as perguntas que mais recebemos de pessoas que consideram o tDCS para depressão — e que não encontram respostas claras online. Aqui tentamos ser precisos, honestos sobre limitações, e diretos.

O que é o tDCS

O que é a estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS)?

O tDCS é uma técnica de neuromodulação não invasiva que usa corrente elétrica de baixa intensidade (0,5–2 mA) para modular a excitabilidade neuronal. Elétrodos colocados no couro cabeludo conduzem a corrente através do crânio, alterando o potencial de membrana dos neurónios — sem os ativar diretamente, mas aumentando ou diminuindo a sua probabilidade de disparar.

O elétrodo anódico (corrente positiva) aumenta a excitabilidade neuronal na região subjacente; o catódico (corrente negativa) diminui. No protocolo standard para depressão, o ânodo é colocado sobre o córtex pré-frontal dorsolateral esquerdo (DLPFC) — uma área sistematicamente hipoativa em doentes com depressão major.

Desenvolvida para uso clínico nos anos 1990, a técnica tem hoje mais de 10.000 estudos publicados em bases de dados científicas, cobrindo dezenas de indicações clínicas e neurológicas.

Como é que o tDCS é diferente do TMS, ECT e de outros tratamentos elétricos?

Existem três técnicas principais de neuromodulação clínica, com mecanismos e perfis de segurança muito diferentes:

  • tDCS (corrente contínua): Usa corrente de baixa intensidade que modula — mas não ativa diretamente — os neurónios. Sem convulsões, sem anestesia, sem dor aguda. Possível em casa. Efeito por sessão mais subtil, daí a necessidade de múltiplas sessões acumuladas.
  • TMS (estimulação magnética transcraniana): Usa pulsos magnéticos de alta intensidade que ativam diretamente circuitos neuronais. Requer equipamento de clínica e sessões presenciais. Mais eficaz por sessão, mas mais caro e menos acessível.
  • ECT (eletroconvulsivoterapia): Usa corrente suficientemente forte para induzir uma crise epiléptica generalizada. Requer anestesia geral. Muito eficaz em depressão grave resistente, mas com perfil de efeitos adversos e necessidade de ambiente hospitalar.

O tDCS é o mais acessível e com melhor perfil de segurança para uso domiciliário supervisionado. A desvantagem é que o efeito individual por sessão é mais subtil — requer um protocolo de múltiplas sessões para produzir efeitos terapêuticos acumulados.

O tDCS é aprovado pela FDA ou tem marcação CE?

O tDCS tem marcação CE classe IIa na Europa para uso médico supervisionado — o equivalente europeu à aprovação da FDA para dispositivos médicos. Esta marcação significa que o dispositivo cumpre os requisitos de segurança e eficácia estabelecidos pelo regulamento europeu de dispositivos médicos (MDR 2017/745).

Nos EUA, a FDA ainda não aprovou formalmente o tDCS para depressão (processo em curso), mas permite o uso em contexto de investigação clínica e uso médico supervisionado. O dispositivo Sereen tem marcação CE — o que é legalmente suficiente e regulatoriamente válido para uso em Portugal e em toda a União Europeia.

Existe risco de descarga elétrica ou dano cerebral?

Não, em condições normais de uso. A intensidade terapêutica usada no protocolo Sereen (1–2 mA) é 100 a 1000 vezes inferior à que seria necessária para causar dano tecidual.

Estudos de histologia em modelo animal mostraram que correntes de 25–200 mA durante longos períodos são necessárias para provocar alterações tecidulares detectáveis — muito acima do que é usado clinicamente. O risco de lesão com o protocolo Sereen (1–2 mA, 30 min, elétrodos de grande superfície) é considerado negligenciável pela literatura científica.

O risco real do tDCS não é de dano — é de ineficácia. Esta distinção é importante: o tDCS é uma intervenção de baixo risco, mas não de eficácia garantida.

O tDCS funciona também para outras condições além da depressão?

Sim. O tDCS tem investigação ativa para uma variedade de condições neurológicas e psiquiátricas:

  • Dor crónica e fibromialgia (estimulação do córtex motor)
  • Reabilitação pós-AVC (função motora e linguagem)
  • Doença de Parkinson (função motora)
  • Ansiedade generalizada e fobia social
  • Insónia crónica
  • TOC (perturbação obsessivo-compulsiva)
  • PTSD (perturbação de stress pós-traumático)
  • Défice de atenção em adultos

O nível de evidência varia entre indicações. Para depressão major, a evidência é mais robusta — com ensaios de fase III e múltiplas meta-análises. O programa Sereen foca-se atualmente na depressão major, onde a evidência científica é mais sólida e o enquadramento regulatório mais claro.

O tDCS funciona sem medicação?

Sim — e esse é o seu apelo para muitos doentes que procuram alternativas aos antidepressivos. O protocolo Sereen pode ser usado em monoterapia (sem antidepressivos concomitantes).

O estudo ELECT-TDCS (Brunoni et al., 2017), o maior ensaio controlado de tDCS para depressão até à data, demonstrou que o tDCS em monoterapia é não-inferior à escitalopram (um dos SSRIs mais prescritos mundialmente) em eficácia a 10 semanas, com menor incidência de efeitos secundários sistémicos.

Para doentes com intolerância a antidepressivos, histórico de efeitos secundários significativos, ou preferência por abordagem não farmacológica, o tDCS é uma alternativa clínica válida — não apenas experimental.

Segurança e Efeitos Secundários

Quais são os efeitos secundários do tDCS?

Os efeitos secundários do tDCS são maioritariamente locais, transitórios, e de intensidade ligeira:

  • Formigueiro/picadas sob os elétrodos durante a sessão — reportado por 70–80% dos utilizadores, diminui com o tempo
  • Vermelhidão ligeira da pele na zona de contacto dos elétrodos — desaparece em poucos minutos após a sessão
  • Coceira ligeira sob os elétrodos — especialmente nos primeiros minutos
  • Dor de cabeça leve — possível nas primeiras sessões, tende a desaparecer com a adaptação
  • Sonolência ou sensação de relaxamento pós-sessão — menos comum

Não há efeitos sistémicos (cardiovasculares, hepáticos, hormonais, gastrointestinais) porque a corrente não entra na circulação sanguínea. Compare com os SSRIs: 30–40% dos doentes experienciam disfunção sexual, alterações de peso, e síndrome de descontinuação ao parar — efeitos inexistentes no tDCS.

Posso desenvolver dependência do tDCS?

Não. Não existe qualquer mecanismo de dependência física ou psicológica associado ao tDCS. A técnica é uma intervenção física que modula temporariamente a excitabilidade de circuitos neuronais — não altera a disponibilidade de neurotransmissores de forma crónica, e não cria adaptações que levem a síndrome de abstinência.

Ao contrário dos antidepressivos (que requerem desmame gradual para evitar síndrome de descontinuação) ou das benzodiazepinas (com risco real de dependência física e psicológica), o tDCS pode ser interrompido a qualquer momento sem efeitos de abstinência.

O tDCS afeta a memória ou a cognição?

A preocupação com efeitos cognitivos negativos é compreensível — especialmente para quem conhece a ECT, que pode causar perda de memória episódica. Com o tDCS, a situação é diferente.

O protocolo standard para depressão (estimulação anodal sobre o DLPFC esquerdo) está associado, em vários estudos, a melhoria — e não a deterioração — da memória de trabalho e das funções executivas. A hipofunção do DLPFC é precisamente um dos mecanismos da "névoa mental" da depressão; ao aumentar a atividade desta região, o tDCS pode melhorar estes défices.

Não há evidência de deterioração cognitiva em doentes tratados com o protocolo terapêutico para depressão. A melhoria cognitiva é frequentemente um dos primeiros sinais de resposta que os doentes reportam.

Posso conduzir depois de uma sessão de tDCS?

Sim. O tDCS não causa sedação, visão turva, tremor, ou qualquer comprometimento das capacidades psicomotoras relevantes para a condução.

Os efeitos agudos da sessão — formigueiro, ligeiro aquecimento local — terminam com o fim da estimulação. Alguns utilizadores reportam uma sensação de relaxamento imediatamente após, mas sem comprometimento objetivo das capacidades de reação, atenção, ou coordenação. Pode conduzir normalmente após cada sessão.

É seguro fazer tDCS em casa sem supervisão direta?

O protocolo Sereen foi desenhado para ser seguro em contexto domiciliário, combinando a conveniência do uso em casa com supervisão clínica remota estruturada.

Cada utilizador recebe: formação detalhada sobre o posicionamento correto dos elétrodos (com material de suporte visual), instruções sobre sinais de alerta e quando contactar a equipa, um protocolo de sessão claro com parâmetros definidos, e acompanhamento semanal com a equipa clínica por videochamada ou questionário estruturado.

O principal risco do uso domiciliário não é de dano físico — é de posicionamento incorreto dos elétrodos (que reduz a eficácia mas não é perigoso) ou de uso por doentes não avaliados com contraindicações não identificadas. O programa Sereen elimina ambos através de avaliação prévia e formação inicial.

Pode o tDCS piorar a depressão?

Não existe evidência de que o protocolo terapêutico standard (anodal esquerdo/catodal direito para depressão) piore os sintomas depressivos. Os estudos não mostram agravamento — o pior cenário observado é a não-resposta (ausência de melhoria), não deterioração.

Em doentes com perturbação bipolar não diagnosticada ou não estabilizada, existe a possibilidade teórica de desencadear estados hipomaníacos — mecanismo semelhante ao de alguns antidepressivos. É por isso que a avaliação clínica prévia obrigatória inclui a exclusão de bipolaridade. Na depressão unipolar, este risco não se aplica.

O Programa Sereen

Como funciona o programa piloto Sereen?

O programa Sereen tem cinco fases estruturadas:

  • 1. Inscrição: Entrada na lista de espera através do site
  • 2. Avaliação clínica: Videoconsulta com o clínico responsável (~45 min), gratuita e sem compromisso — avalia elegibilidade, história clínica e medicação atual
  • 3. Entrega do dispositivo: Envio do dispositivo tDCS certificado CE ao domicílio após confirmação de elegibilidade
  • 4. Formação: Sessão de formação guiada sobre posicionamento dos elétrodos, protocolo de sessão, e sinais de alerta
  • 5. Tratamento com acompanhamento: Sessões diárias em casa (30 min/sessão, 5 sessões por semana), com check-ins semanais com a equipa clínica para monitorizar resposta e ajustar o protocolo se necessário

O clínico responsável monitoriza a evolução ao longo do protocolo e está disponível para questões clínicas ao longo de todo o processo.

Quem são os profissionais de saúde da Sereen?

A Sereen trabalha com psiquiatras especialistas com formação e experiência em neuroestimulação e saúde mental. Todos os profissionais têm cédula profissional válida, experiência clínica com tDCS, e formação específica em protocolos de neuromodulação.

A avaliação inicial e todo o acompanhamento clínico são sempre feitos por médico — não por técnicos, assistentes, ou algoritmos de inteligência artificial. O contacto humano com um profissional de saúde qualificado é central ao modelo Sereen, não periférico. Podemos partilhar informação detalhada sobre a equipa clínica durante a avaliação inicial.

O que acontece se não responder ao tratamento?

A não-resposta é tratada como informação clínica, não como fracasso. Cerca de 40–65% dos doentes que completam o protocolo completo experienciam resposta significativa. Para os restantes, o clínico responsável Sereen avalia as opções:

  • Ajuste do protocolo — parâmetros de estimulação, localização de elétrodos, densidade de corrente
  • Combinação com SSRI — que pode potenciar o efeito em não-respondedores iniciais
  • Encaminhamento para TMS em clínica especializada
  • Revisão farmacológica completa com o clínico responsável
  • Psicoterapia intensiva

Em nenhum caso o doente fica sem orientação. A não-resposta ao tDCS orienta as próximas decisões clínicas de forma construtiva.

Posso fazer tDCS ao mesmo tempo que psicoterapia?

Absolutamente — e recomendamos ativamente esta combinação. O tDCS e a psicoterapia têm mecanismos de ação complementares, não sobrepostos.

O tDCS aumenta a atividade do DLPFC, melhorando funções executivas, memória de trabalho, e regulação emocional. Estas são precisamente as capacidades cognitivas necessárias para beneficiar efetivamente da terapia cognitivo-comportamental (TCC) — identificar padrões de pensamento, aplicar técnicas de reestruturação cognitiva, e fazer mudanças comportamentais graduais.

A combinação de neuromodulação com psicoterapia é considerada abordagem de primeira linha para depressão moderada a severa em vários países europeus. O programa Sereen pode decorrer em paralelo com qualquer psicoterapia que já esteja a fazer.

Onde está localizada a Sereen?

A Sereen é uma empresa portuguesa, com sede no Porto. O programa é 100% domiciliário — o tratamento ocorre em casa do doente, em qualquer localização em Portugal continental. Não é necessário deslocar-se a uma clínica, sala de espera, ou instalação hospitalar.

A avaliação inicial e todos os acompanhamentos clínicos são feitos por videoconsulta. O dispositivo tDCS é enviado para o domicílio por courrier. O modelo foi desenhado para eliminar as barreiras de acesso — distância, mobilidade, estigma, agenda — que afetam tantos doentes com depressão.

O programa Sereen está disponível para pessoas fora de Portugal?

Atualmente o programa está disponível em Portugal continental. A Madeira e os Açores podem ter restrições logísticas de envio do dispositivo — contacte-nos diretamente para verificar a sua situação específica.

Para residentes fora de Portugal, não temos ainda disponibilidade operacional, mas pode inscrever-se na lista de espera para ser notificado quando expandirmos. A expansão para outros países europeus está nos planos para 2027.

Resultados e Expectativas

Quantas sessões até ver resultados?

A maioria dos doentes que vai responder ao tDCS começa a notar mudanças subtis entre a 3.ª e 4.ª semana de tratamento (equivalente a 15–20 sessões no protocolo de 5×/semana). Tipicamente não é uma transformação dramática — é mais subtil: melhor qualidade de sono, mais energia nas primeiras horas da manhã, momentos de humor positivo que duram mais tempo, menor peso dos pensamentos negativos.

A resposta plena consolida-se gradualmente entre a 6.ª e 10.ª semana. É importante não abandonar o protocolo prematuramente — doentes que completam o protocolo completo têm maior probabilidade de resposta sustentada do que os que interrompem cedo por ausência de melhoria imediata.

Os resultados do tDCS são permanentes?

A maioria dos doentes não obtém resultados permanentes com um único protocolo — mas podem ser duradouros. Os estudos de follow-up mostram que 60–70% dos respondedores mantêm a melhoria clinicamente significativa aos 6 meses após o protocolo inicial.

Para muitos doentes, sessões de manutenção com menor frequência (1–2 sessões por mês) ajudam a prevenir a recaída e prolongam o benefício clínico. A depressão major é frequentemente uma condição crónica recorrente, e a necessidade de manutenção é uma realidade transversal à maioria dos tratamentos — farmacológicos ou não.

O tDCS funciona para depressão resistente a medicação?

A depressão resistente ao tratamento — definida como ausência de resposta a dois ou mais antidepressivos adequados — é uma das indicações mais estudadas para tDCS. Vários estudos mostram eficácia clínica nesta população.

A taxa de resposta em depressão resistente é naturalmente mais baixa do que em depressão sem tratamento prévio: aproximadamente 30–40% vs 58% em doentes naive (dados do estudo ELECT-TDCS, 2017). Mas 30–40% de resposta em doentes resistentes é clinicamente significativo — representa uma opção real para pessoas que esgotaram várias linhas de antidepressivos.

Para depressão muito resistente (quatro ou mais antidepressivos sem resposta), o TMS em clínica especializada ou a ECT podem ter indicação clínica mais forte. O clínico responsável Sereen avalia honestamente cada situação e orienta para a melhor opção disponível.

Como é que sei se estou a ter uma resposta?

Usamos instrumentos de avaliação clínica padronizados e validados para monitorizar a resposta ao longo do protocolo:

  • PHQ-9 (Patient Health Questionnaire-9): preenchido semanalmente pelo doente; 9 perguntas sobre sintomas depressivos na última semana; pontuação de 0 a 27
  • MADRS (Montgomery-Åsberg Depression Rating Scale): aplicado pelo clínico responsável nas consultas de acompanhamento; maior sensibilidade a mudanças subtis

Uma redução ≥50% na pontuação do PHQ-9 desde o início é o limiar convencional para definir "resposta". Uma pontuação abaixo de 5 no PHQ-9 é considerada remissão. A equipa Sereen comunica estes resultados de forma clara e acessível ao longo do programa.

O tDCS funciona para depressão pós-parto?

A depressão pós-parto é uma forma de depressão major e o tDCS tem estudos específicos neste contexto clínico. O grande apelo para mães no período pós-parto é a ausência de efeitos sistémicos do tDCS.

Ao contrário de alguns antidepressivos que passam para o leite materno em concentrações variáveis, não há evidência de que a corrente elétrica do tDCS cefálico seja transmitida pelo leite materno — porque a corrente não entra na circulação sanguínea. Para mães a amamentar que preferem evitar medicação neste período, o tDCS é uma opção clínica a considerar, com avaliação individual pelo clínico responsável.

Posso usar o tDCS durante a gravidez?

Atualmente não recomendamos tDCS durante a gravidez. Esta recomendação não se baseia em evidência de dano fetal — não há estudos que demonstrem risco para o feto — mas na falta de dados de segurança suficientes em grávidas para fazermos uma recomendação responsável.

A depressão durante a gravidez deve ser tratada — não tratar tem riscos reais para a mãe e para o desenvolvimento do bebé. Para grávidas, as opções com perfil de segurança mais estabelecido são preferíveis: alguns SSRIs como a sertralina têm dados robustos de segurança na gravidez e são recomendados em guidelines internacionais.

Elegibilidade e Processo

Como sei se sou elegível para o programa Sereen?

Os critérios gerais de elegibilidade para o programa Sereen são:

  • 18 anos ou mais (adultos)
  • Diagnóstico de depressão major, ou sintomas depressivos significativos avaliados pelo clínico responsável
  • Residente em Portugal continental
  • Sem contraindicações absolutas ao tDCS (ver lista completa de contraindicações)
  • Capacidade de seguir um protocolo estruturado de sessões diárias

A elegibilidade final é sempre determinada pelo clínico responsável Sereen após avaliação clínica completa. A inscrição na lista de espera é o primeiro passo — não assume elegibilidade, mas coloca-o em contacto com a equipa para avaliação.

Já tentei vários antidepressivos sem sucesso. O tDCS pode ajudar?

Sim — e este é precisamente o perfil de muitos dos doentes que chegam ao programa Sereen. Quem não respondeu a dois ou mais antidepressivos (depressão resistente) é uma das populações que mais pode beneficiar de uma abordagem terapêutica diferente.

O tDCS atua por mecanismos fundamentalmente diferentes dos antidepressivos. Os antidepressivos modulam a disponibilidade de neurotransmissores (serotonina, noradrenalina, dopamina) através de mecanismos farmacológicos. O tDCS modula diretamente a excitabilidade de circuitos neuronais através de estimulação física. São mecanismos independentes — é biologicamente plausível responder ao tDCS sem ter respondido à medicação.

Tenho de parar a minha medicação atual?

Não necessariamente — e na maioria dos casos, não recomendamos parar a medicação antidepressiva para iniciar o tDCS. A combinação de tDCS com SSRIs é não apenas segura como potencialmente sinérgica.

O estudo START (Brunoni et al., 2013) demonstrou que tDCS + sertralina tem eficácia superior a tDCS em monoterapia e a sertralina em monoterapia — sugerindo um efeito potenciador mútuo. A hipótese mecanicista é que a medicação aumenta a disponibilidade de serotonina, o que facilita os mecanismos de plasticidade sináptica que o tDCS ativa.

O clínico responsável Sereen avalia a medicação atual, identifica eventuais interações relevantes, e faz recomendações — mas a interrupção de antidepressivos não é um requisito de entrada no programa.

Qual é a diferença entre o tDCS da Sereen e comprar um aparelho online?

Existe uma diferença fundamental de modelo — e de risco.

Dispositivos disponíveis online (frequentemente sem certificação CE, provenientes de fabricantes não rastreáveis) são adquiridos e usados sem: avaliação de elegibilidade e exclusão de contraindicações, formação sobre posicionamento correto dos elétrodos, protocolo definido por profissional de saúde, ou monitorização e acompanhamento clínico.

O risco do tDCS sem supervisão não é primariamente de dano físico — é de uso incorreto: posicionamento errado dos elétrodos pode resultar em nenhum efeito ou no efeito oposto ao pretendido; uso por doentes com contraindicações não identificadas pode ser perigoso; ausência de monitorização significa que a não-resposta não é detectada e tratada.

O programa Sereen combina a conveniência do domiciliário com toda a estrutura clínica: avaliação médica, formação validada, dispositivo certificado CE, e acompanhamento estruturado. É a diferença entre automedicação e medicina.

Quanto tempo demora desde a inscrição até ao início do tratamento?

O tempo estimado do processo completo:

  • Inscrição na lista de espera → contacto da Sereen: geralmente 3–7 dias úteis
  • Agendamento e realização da avaliação clínica: 1–2 semanas após contacto
  • Envio e receção do dispositivo após confirmação de elegibilidade: 3–5 dias úteis
  • Sessão de formação e início do protocolo: 1–2 dias após receção do dispositivo

Total estimado: 2–4 semanas desde a inscrição. Este tempo pode variar dependendo do volume de inscrições e da disponibilidade da agenda clínica. Em caso de urgência clínica, contacte-nos diretamente para verificar disponibilidade mais rápida.

O tDCS pode ser combinado com outras formas de neuromodulação?

A combinação de tDCS com outros protocolos de neuromodulação simultâneos (TMS, rTMS, tACS) não é recomendada sem supervisão especializada. Os mecanismos de interação entre diferentes técnicas de neuroestimulação são pouco estudados e os efeitos combinados são imprevisíveis.

O que é bem estudado e recomendado são as combinações de tDCS com intervenções não elétricas: psicoterapia (TCC, mindfulness), farmacoterapia antidepressiva, e exercício físico aeróbio (que potencia a neuroplasticidade). Estas combinações têm evidência positiva e são ativamente encorajadas no programa Sereen.

Sobre a Sereen

A Sereen é uma clínica ou uma empresa de tecnologia?

A Sereen é uma empresa de saúde digital portuguesa — genuinamente a combinação dos dois. Temos psiquiatras na equipa (componente clínica central) e tecnologia para tornar o tratamento acessível a partir de casa (componente digital instrumental).

Não somos uma empresa de software que vende hardware sem supervisão médica — o componente clínico não é acessório, é o núcleo. Também não somos uma clínica tradicional que simplesmente adotou uma ferramenta digital — o modelo domiciliário é intencional e integrado no protocolo desde o início. A nossa missão é tornar tratamentos baseados em evidência acessíveis a pessoas que de outra forma não teriam acesso — por questões geográficas, económicas, ou de mobilidade.

Como é que a Sereen garante a qualidade do tratamento?

A qualidade clínica do programa Sereen é garantida através de três mecanismos estruturais:

  • Avaliação médica inicial rigorosa: Cada doente é avaliado pelo clínico responsável antes de iniciar — elegibilidade verificada, contraindicações excluídas, protocolo personalizado
  • Protocolo baseado em evidência: Os parâmetros de estimulação, duração, e frequência das sessões seguem protocolos publicados em ensaios clínicos peer-reviewed
  • Monitorização contínua com escalas validadas: PHQ-9 semanal e MADRS nas consultas de acompanhamento; a resposta é objetivamente medida

O programa piloto tem também um componente de investigação associado — com consentimento dos participantes, recolhemos dados clínicos agregados e anonimizados para publicação científica e melhoria contínua do protocolo.

Como posso contactar a Sereen com mais perguntas?

Estamos disponíveis através de dois canais:

Pode também colocar a sua questão diretamente durante a avaliação inicial — que é gratuita e sem qualquer compromisso de início de tratamento. A avaliação é uma conversa com o nosso clínico responsável, não uma consulta de vendas.

Existe um grupo de apoio ou comunidade de utilizadores Sereen?

Estamos a construir ativamente uma comunidade de doentes em tratamento e ex-participantes do programa. Durante o programa piloto, realizamos sessões de grupo mensais por videochamada — abertas a todos os participantes ativos — com presença de um elemento da equipa clínica para responder a questões e facilitar a partilha de experiências.

Acreditamos que o apoio entre pares — de pessoas que estão a viver a mesma experiência — é um complemento valioso ao tratamento individual. A conexão com outras pessoas que estão a passar pelo mesmo processo pode reduzir o isolamento que frequentemente acompanha a depressão e aumentar a adesão ao protocolo.

Ainda tem dúvidas?

A avaliação inicial com o nosso clínico responsável é gratuita e responde a todas as suas perguntas pessoais.

Entrar na lista de espera