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Quem Pode Fazer tDCS para Depressão? Critérios de Elegibilidade

Nem toda a gente é candidata ao tDCS. Aqui estão os critérios clínicos que determinam quem beneficia — e quem não deve fazer.

85%
Dos candidatos à lista de espera são elegíveis
Dados Sereen
>18
Anos — idade mínima para tratamento
Protocolo Sereen
F34.1
CID-10 — Depressão recorrente (principal indicação)
OMS

Quem é um bom candidato ao tDCS para depressão?

O tDCS não é uma solução universal, mas o seu perfil de candidatos é amplo. A maioria das pessoas com depressão major que chegam à Sereen são elegíveis. Os critérios abaixo refletem o estado atual da evidência clínica e o protocolo da Sereen — não são barreiras artificiais, são orientações baseadas em segurança e eficácia esperada.

O candidato ideal ao tDCS para depressão reúne a maioria destas características:

  • Diagnóstico de depressão major (episódio único ou recorrente) — leve a moderado-severo
  • Adulto com 18 ou mais anos
  • Sem contraindicações absolutas (ver abaixo)
  • Motivado para completar um protocolo de 10–12 semanas — a consistência é determinante para o resultado
  • Sem resposta satisfatória ou com intolerância aos antidepressivos (frequente, mas não obrigatório)
  • Com ou sem medicação concomitante — os SSRIs potenciam o efeito do tDCS (Brunoni et al., 2013)
  • Com acesso à internet e smartphone para monitorização e acompanhamento remoto

Indicações principais

O tDCS tem evidência mais sólida nas seguintes situações clínicas:

  • Episódio depressivo major moderado a severo (ICD-10: F32.1, F32.2, F33) — a principal indicação, com mais de 200 estudos publicados
  • Depressão resistente ao tratamento — definida como falha de pelo menos 1 antidepressivo em dose e duração adequadas; estudos como o ELECT-TDCS mostram eficácia neste grupo
  • Intolerância a efeitos secundários de antidepressivos — disfunção sexual, ganho de peso, ou náuseas que tornam a adesão impossível
  • Preferência por tratamento não-farmacológico — razão válida e clinicamente aceite, especialmente para episódios ligeiros a moderados
  • Depressão na gravidez — avaliação caso a caso, com dados de segurança limitados mas perfil de risco farmacológico muitas vezes maior
  • Como adjuvante à medicação — para aumentar resposta em doentes com resposta parcial aos antidepressivos
ELECT-TDCS (NEJM 2017)
43%
Taxa de remissão com tDCS, comparável ao escitalopram 20mg após 10 semanas
JAMA Network Open (2025)
58%
Remissão com protocolo domiciliário supervisionado em depressão moderada a severa

Contraindicações absolutas (não pode fazer)

As contraindicações absolutas são situações em que o tDCS não pode ser iniciado independentemente de qualquer avaliação. Não são decisões arbitrárias — têm base em risco documentado ou risco teórico inaceitável:

Atenção: Estas contraindicações são absolutas. Se se aplica alguma das seguintes situações, o tDCS não é adequado e o clínico responsável da Sereen encaminhará para alternativas.

  • Implantes metálicos no crânio — metal pode concentrar corrente elétrica de forma imprevisível e criar risco de queimadura ou estimulação não-intencional. Exceção possível: implantes de titânio em localização distante dos elétrodos, com avaliação cuidadosa
  • Pacemaker cardíaco ou desfibrilhador implantável (ICD) — por cautela, existe risco teórico de interferência com dispositivos eletrónicos implantados; aprovação cardiológica necessária
  • Implantes de estimulação cerebral profunda (DBS) — interação possível entre dois sistemas de neuroestimulação ativos em simultâneo
  • Epilepsia ativa não controlada — risco teórico de precipitar convulsão; com epilepsia controlada, avaliação caso a caso é possível
  • Psicose ativa ou esquizofrenia — o tDCS não é indicado nestas condições e pode não ser seguro em fase aguda
  • Diagnóstico de bipolaridade tipo I — risco de precipitar episódio maníaco pela estimulação do DLPFC esquerdo
  • Lesões ativas na pele do couro cabeludo na zona dos elétrodos — infeções, úlceras, eczema ativo ou feridas abertas na zona frontal ou supra-orbital impedem a aplicação segura

Contraindicações relativas (requerem avaliação individual)

As contraindicações relativas não excluem automaticamente o tratamento — requerem uma avaliação cuidadosa do risco-benefício com o clínico responsável da Sereen:

Contraindicação relativa não significa impossível. Significa que a decisão é feita individualmente, com mais informação, precauções adicionais ou monitorização mais intensiva.

  • Bipolaridade tipo II — pode ser tratado com precauções específicas: vigilância rigorosa de sintomas hipomaníacos, protocolo adaptado e medicação estabilizadora concomitante
  • Epilepsia controlada — doentes sem crises há vários anos podem ser avaliados; avaliação neurológica recomendada antes de iniciar
  • Lesões cerebrais estruturais — AVC, tumores ou lesões traumáticas podem alterar a distribuição da corrente; a localização e extensão determinam a elegibilidade
  • Demência ou comprometimento cognitivo severo — limitações na aplicabilidade clínica e na capacidade de seguir o protocolo de forma autónoma
  • Abuso ativo de substâncias — pode reduzir a eficácia e aumentar a imprevisibilidade da resposta; a sobriedade ativa aumenta substancialmente os resultados
  • Risco suicidário elevado imediato — requer avaliação presencial urgente antes de qualquer tratamento domiciliário; segurança em primeiro lugar
  • Gravidez — dados de segurança limitados, embora o perfil de risco seja teoricamente baixo; decisão individual com consentimento informado explícito
  • Crianças e adolescentes (<18 anos) — dados limitados em populações pediátricas; o protocolo Sereen é exclusivamente para adultos

A avaliação inicial da Sereen

Todos os candidatos passam por um processo de avaliação estruturado antes de qualquer tratamento. Não há exceções — mesmo para quem já tem diagnóstico estabelecido e historial clínico detalhado.

  1. Questionário de triagem online (10 min) — cobre o historial clínico, diagnósticos, medicação atual, e as principais contraindicações. Filtra os casos que claramente não são elegíveis antes de qualquer consulta.
  2. Videoconsulta com o clínico responsável (45 min) — confirma o diagnóstico, avalia a elegibilidade com nuance clínica, discute o historial de tratamentos anteriores, define expectativas realistas e responde a todas as dúvidas.
  3. Se elegível: envio do kit — o dispositivo, elétrodos e consumíveis são enviados para casa em 48h após aprovação. Inclui setup guiado por vídeo.
  4. Monitorização semanal remota — durante todo o protocolo, com questionários standardizados (PHQ-9, MADRS) e sessões de vídeo com a equipa clínica.

E se não for elegível?

Ser excluído do tDCS não significa ficar sem opções. A Sereen não se limita a dizer "não" — o clínico responsável apresenta alternativas adequadas ao perfil clínico de cada pessoa.

Consoante o motivo de exclusão, as alternativas incluem encaminhamento para psiquiatria presencial, TMS em clínica, revisão da medicação, psicoterapia cognitivo-comportamental, ou serviços de urgência psiquiátrica quando o risco assim o exige.

A nossa missão é que cada pessoa que contacta a Sereen saia com um caminho claro — mesmo que esse caminho não passe pelo tDCS domiciliário.

Perguntas frequentes sobre elegibilidade

As benzodiazepinas em doses elevadas podem reduzir o efeito do tDCS porque inibem os mecanismos de neuroplasticidade — nomeadamente a potenciação de longo prazo (LTP) — que o tDCS utiliza para produzir o seu efeito terapêutico. Se tomar benzodiazepinas regularmente, não é uma contraindicação de segurança absoluta, mas o clínico responsável avalia o impacto esperado na eficácia e pode recomendar ajuste da dose ou timing das tomas em relação às sessões.

Sim. A comorbilidade depressão + ansiedade é muito comum — presente em 40–60% dos doentes com depressão major — e não é uma contraindicação. O protocolo de tDCS para o córtex pré-frontal dorsolateral esquerdo tem dados positivos tanto para depressão como para sintomas de ansiedade. Estudos como os de Brunoni et al. reportam redução concomitante de ansiedade nos doentes tratados para depressão.

Por cautela, os pacemakers são atualmente considerados uma contraindicação relativa que requer avaliação cuidadosa. A corrente do tDCS é muito baixa (1–2 mA) e local — a distância ao pacemaker é tipicamente grande. No entanto, a ausência de dados de segurança explícitos para esta combinação justifica cautela. O clínico responsável da Sereen e, se necessário, o cardiologista avaliam o risco-benefício individualmente, considerando o tipo e marca do dispositivo.

Existem estudos em adultos mais velhos (65+) com resultados positivos do tDCS para depressão. Uma meta-análise de 2022 reportou eficácia comparável a grupos mais jovens, embora com algumas nuances na intensidade de resposta. A avaliação clínica é sempre necessária, pois fatores como comprometimento cognitivo concomitante, polifarmácia e alterações na anatomia cerebral relacionadas com a idade precisam de ser considerados na personalização do protocolo.

A gravidez é uma contraindicação relativa — os dados de segurança são limitados, embora a corrente elétrica utilizada seja muito baixa e local, sem efeito sistémico conhecido. Existem relatos de caso e séries pequenas sem eventos adversos documentados, mas a evidência formal é insuficiente para uma recomendação clara. A amamentação não é uma contraindicação. A decisão durante a gravidez é sempre individual, tomada com consentimento informado e ponderando os riscos da depressão não tratada versus os riscos hipotéticos do tDCS.

A bipolaridade tipo I é uma contraindicação absoluta no protocolo padrão — a estimulação anódica do DLPFC esquerdo pode precipitar ou agravar um episódio maníaco, um risco inaceitável. A bipolaridade tipo II é diferente: pode ser avaliada individualmente, com precauções específicas como medicação estabilizadora do humor otimizada, protocolo adaptado e monitorização intensiva de sintomas hipomaníacos. Esta distinção é sempre feita na consulta de avaliação.

Descubra se é elegível

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